Amor sem esforço.

Amor sem esforço.

“As pessoas mais interessantes que conheço não fazem sacrifícios para ser amadas. São do jeito delas. Se são amadas, maravilha. Se não, vida que segue, mais a frente os encontros virão e é bem provável que tenham mais a ver com elas. A diferença que conta é que, à parte o amor que possam receber, elas são amadas por elas mesmas. Estão confortáveis por ser como dá pra ser a cada instante.”

(texto completo aqui: http://marciamensagem.blogspot.com/2012/01/amor-sem-esforco-ana-jacomo.html)
— Ana Jácomo –

Eu quero…

Eu quero…


‘Quero tudo novo de novo. Quero não sentir medo. Quero me entregar mais, me jogar mais, amar mais. Viajar até cansar. Quero sair pelo mundo. Quero fins de semana de praia. Aproveitar os amigos e abraçá-los mais. Quero ver mais filmes e comer mais pipoca, ler mais. Sair mais. Quero um trabalho novo. Quero não me atrasar tanto, nem me preocupar tanto. Quero morar sozinho, quero ter momentos de paz. Quero dançar mais. Comer mais brigadeiro de panela, acordar mais cedo e economizar mais. Sorrir mais, chorar menos e ajudar mais. Pensar mais e pensar menos. Andar mais de bicicleta. Ir mais vezes ao parque. Quero ser feliz, quero sossego, quero outra tatuagem. Quero me olhar mais. Cortar mais os cabelos. Tomar mais sol e mais banho de chuva. Preciso me concentrar mais, delirar mais. Não quero esperar mais, quero fazer mais, suar mais, cantar mais e mais. Quero conhecer mais pessoas. Quero olhar para frente e só o necessário para trás. Quero olhar nos olhos do que fez sofrer e sorrir e abraçar, sem mágoa. Quero pedir menos desculpas, sentir menos culpa. Quero mais chão, pouco vão e mais bolinhas de sabão. Quero aceitar menos, indagar mais, ousar mais. Experimentar mais. Quero menos “mas”. Quero não sentir tanta saudade. Quero mais e tudo o mais. E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.

- Fernando Pessoa -

À Beira do Mar Aberto.

À Beira do Mar Aberto.

‘E de novo me vens e me contas do mar aberto das costas de tua terra, do vento gelado soprando desde o pólo, nos invernos, sem nenhuma baía, nenhuma gaivota ou albatroz sobrevoando rasante o cinza das águas para mergulhar, como certa vez, em algum lugar, rápido iscando um peixe no bico agudo, mas essas outras águas que lembro eram claras verdes, havia sol e acho que também um reflexo de prata no bico da ave no momento justo do mergulho, nessas águas de que me falas quando me tomas assim e me levas para histórias ou caminhadas sem fim não há verde nem é claro, o sol não transpõe as nuvens, e te imagino então parado sozinho entre a faixa interminável de areia, o vento que bate em teu rosto, as mãos com os dedos roxos de frio enfiadas até o fundo dos bolos, o vento e novamente o vento que bate em teu rosto, esse mesmo que não me olha agora, raramente, teu olho bate em mim e logo se desvia, como se em minhas pupilas houvesse uma faca, uma pedra, um gume, teu rosto mais nu que sempre, à beira-mar, com esse vento a bater e a revolver teus cabelos e pensamentos, e eu sem saber que me envolve agora quando teu olho outra vez escorrega para fora e longe do meu, entre tua testa larga de onde às vezes costuma afastar os cabelos com ambas as mãos, numa mistura de preguiça e sensualidade expostas, e quando teu olho se afasta assim, não sei para onde, talvez para esse mesmo lugar onde te encontravas ontem, à beira do mar aberto, onde não penetro, como não te penetro agora, mas é quando a pedra ou faca no fundo do meu olho afasta o teu é que te olho detalhado, e nunca saberás quanto e como já conheço cada milímetro da tua pele, esses vincos cada vez mais fundos circundando as sobrancelhas que se erguem súbitas para depois diluírem-se em pêlos cada vez mais ralos, até a região onde os raspas quase sempre mal, e conheço também esses tocos de pêlos duros e secretos, escondidos sob teu lábio inferior, levemente partido ao meio, e tão dissimulado te espio que nunca me percebes assim, te devassando como se através de cada fiapo, de cada poro, pudesse chegar a esse mais de dentro que me escondes sutil, obstinado, através de histórias como essa, do mar, das velhas tias, das iniciações, dos exílios, das prisões, das cicatrizes, e em tudo que me contas pensando, suponho, que é teu jeito de dar-se a mim, percebo farpado que te escondes ainda mais, como se te contando a mim negasses quase deliberado a possibilidade de te descobrir atrás e além de tudo que me dizes, é por isso que me escondo dessas tuas histórias que me enredam cada vez mais no que não és tu, mas o que foste, tento fugir para longe e a cada noite, como uma criança temendo pecados, punições de anjos vingadores com espadas flamejantes, prometo a mim mesmo nunca mais ouvir, nunca mais ter a ti tão mentirosamente próximo, e escapo brusco para que percebas que mal suporto a tua presença, veneno, veneno, às vezes digo coisas ácidas e de alguma forma quero te fazer compreender que não é assim, que tenho um medo cada vez maior do que vou sentindo em todos esses meses, e não se soluciona, mas volto e volto sempre, então me invades outra vez com o mesmo jogo e embora supondo conhecer as regras, me deixo tomar por inteiro por tuas estranhas liturgias, a compactuar com teus medos que não decifro, a aceitá-los como um cão faminto aceita um osso descarnado, essas migalhas que me vais jogando entre as palavras e os pratos vazios, torno sempre a voltar, talvez penalizado do teu olho que não se debruça sobre nenhum outro assim como sobre o meu, temendo a faca, a pedra, o gume das tuas histórias longas, das tuas memórias tristes, cheias de corredores mofados, donzelas velha trancadas em seus quartos, balcões abertos sobre ruazinhas onde moças solteiras secam o cabelo, exibindo os peitos, tornarei sempre a voltar porque preciso desse osso, dos farelos que me têm alimentado ao longo deste tempo e choro sempre quando os dias terminam porque sei que não nos procuraremos pelas noites, quando o meu perigo aumenta e sem me conter te assaltaria feito um vampiro faminto para te sangrar enquanto meus dentes penetrando nas veias de tua garganta arrancassem do fundo essa vida que me negas delicadamente, de cada vez que me procuras e me tomas, contudo me enveneno mais quando não vens e ninguém então me sabe parado feito velho num resto de sol de agosto, escurecido pela tua ausência, e me anoiteço ainda mais e me entrevo tanto quando estás presente e novamente me tomas e me arrancas de mim me desguiando por esses caminhos conhecidos onde atrás de cada palavra tento desesperado encontrar um sentido, um código, uma senha qualquer que me permita esperar por um atalho onde não desvies tão súbito os olhos, onde teu dedo não roce tão passageiro no meu braço, onde te detenhas mais demorando sobre isso que sou e penses que sabe que se aceito tuas tramas, e vomitas sobre mim, e depois puxa a descarga e te vais, me deixando repleto dos restos amargos do que não digeriste, mas mesmo assim penses que poderias aceitar também meus jogos, esses que não proponho, ah detritos, mas tudo isso é inútil e bem sei de como tenho tentado me alimentar dessa casca suja que chamamos com fome e pena de pequenas-esperanças, enquanto definho feito um animal alimentado, apenas com água, uma água rala e pouca, não essa densa espessa turva do mar de que me falaste no começo da tarde que agora vai-se indo devagar atrás das minhas costas, e parado aqui do teu lado, sem que me vejas, lentamente afio as pedras e as facas do fundo das minhas pupilas, para que a noite não me encontre outra vez insone, recomponho sozinho um por um dos teus traços, dos teus pêlos, para que quando esses teus olhos escuros e parados como as águas do mar de inverno na praia onde talvez caminhes ainda, enquanto me adentro em gumes, resvalaram outra vez pelos meus, que seu fio esteja tão aguçado que possa rasgar-te até o fundo, para que te arrastes nesse chão que juncamos todos os dias de papéis rabiscadas e pontas de cigarro, sangrando e gemendo, a implorar de mim aquele mesmo gesto que nunca fizeste, e nem sempre sei exatamente qual seria, mas que nos arrancasse brusco e definitivo dessa mentira gentil onde não sei se deliberados ou casuais afundamos pouco a pouco, bêbados como moscas sobre açúcar, melados de nossa própria cínica doçura acovardada, contaminado por nossa falsa pureza, encharcados de palavras e literatura, e depois nos jogasse completamente nus, sem nenhuma história, sem nenhuma palavra, nessa mesma beira de mar das costas da tua terra, e de novo então me vens e me chegas e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque é assim que és e unicamente assim é que me queres e me utilizas todos os dias, e nos usamos honestamente assim, eu digerindo faminto o que teu corpo rejeita, bebendo teu mágico veneno porco que me ilumina e me anoitece a cada dia, e passo a passo afundo nesse charco que não sei se é o grande conhecimento de nós ou o imenso engano de ti e de mim, nos afastamos depois cautelosos ao entardecer, e na solidão de cada um sei que tecemos lentos nossa próxima mentira, tão bem urdida que na manhã seguinte será como verdade pura e sorriremos amenos, desviando os olhos, corriqueiros, à medida que o dia avança estruturando milímetro a milímetro uma harmonia que só desabará levemente em cada roçar temeroso de olhos ou de peles, os gelos, os vermes roendo os porões que insistimos em manter até que o não-feito acumulado durante todo esse tempo cresça feito célula cancerosa para quem sabe explodir em feridas visíveis indisfarçáveis, flores de um louco vermelho na superfície da pele que recusamos tocar por nojo ou covardia ou paixão tão endemoniada que não suportaria a água benta de seu próprio batismo, e enquanto falas e me enredas e me envolves e me fascinas com tua voz monocórdia e sempre baixa, de estranho acento estrangeiro, penso sempre que o mar não é esse denso escuro que me contas, sem palmeiras nem ilhas nem baías nem gaivotas, mas um outro mais claro e verde, num lugar qualquer onde é sempre verão e as emoções limpas como as areias que pisamos, não sabes desse meu mar porque nada digo, e temo que seja outra vez aquela coisa piedosa, faminta, as pequenas-esperanças, mas quando desvio meu olho do teu, dentro de mim guardo sempre teu rosto e sei que por escolha impossível recuar para não ir até o fim e o fundo disso que nunca vivi antes e talvez tenha inventado apenas para me distrair nesses dias onde aparentemente nada acontece e tenha inventado quem sabe em ti um brinquedo semelhante ao meu para que não passem tão desertas as manhãs e as tardes buscando motivos para os sustos e as insônias e as inúteis esperas ardentes e loucas invenções noturnas, e lentamente falas, e lentamente calo, e lentamente aceito, e lentamente quebro, e lentamente falho, e lentamente caio cada vez mais fundo e já não consigo voltar à tona porque a mão que me estendes ao invés de me emergir me afunda mais e mais enquanto dizes e contas e repetes essas histórias longas, essas histórias tristes, essas histórias loucas como esta que acabaria aqui, agora, assim, se outra vez não viesses e me cegasses e me afogasses nesse mar aberto que nós sabemos que não acaba assim nem agora nem aqui.’

- Caio Fernando Abreu em Os Dragões nao conhecem o paraiso –

A cor certa para usar no Reveillon.

A cor certa para usar no Reveillon.

Romero Brito

O Ano Novo se aproxima e já começamos a fazer novos planos. Desejamos mudanças, traçamos metas e vibramos entusiasmo e esperança.

Vamos estimular essa grande energia renovadora que chega com o próximo ano!

Na noite de Reveillon use a sua cor, aquela escolhida especialmente para você, e que irá impulsionar 2012, trazendo a você prosperidade e realização.

Use uma roupa ou acessório da cor indicada e comece o Ano Novo com muita energia positiva.

Para saber a cor que você deve usar na noite de Reveillon 2011-2012, some o dia de seu aniversário + o mês do seu aniversário + o número 6 (todas as pessoas devem somar o número 6 ao dia e mês de aniversário).

Exemplo: se você fez aniversário em 27 de Agosto :

27+ 8+ 6= 41 4+1=5

Sua energia para a noite de Reveillon é 5

Exemplo 2: se você fez aniversário em 10 de Março :

10 +3+6 = 19 1+9=10 1+0=1

Sua energia para a noite de Reveillon é 1

Consulte abaixo o seu número para saber a cor a ser usada e qual é a sua energia para a entrada no Ano Novo 2012:

01 – A noite de Réveillon é o momento ideal para você pensar no futuro, estabelecendo uma meta. Você é independente e tem a oportunidade de se desvencilhar de tudo o que o detém. A sua energia vai estar no auge para você tomar as decisões para o ano que se aproxima. Quando o sol raiar no Ano Novo sinta-se cheio de vontade. Você pode confiar muito em si mesmo. Ouse. Tenha coragem. Inicie 2012 com vitalidade, garra e convicção. Dê o primeiro passo para a realização do que você deseja. Use vermelho em uma roupa ou acessório. Será um dia para brilhar, tomar decisões, agir! O vermelho colabora com a força e a energia dinâmica.

02- A noite de Réveillon será para viver o amor e a cooperação. Se você estiver com uma companhia pode acreditar que um vai querer viver com o outro, para sempre! A Lua associada ao número 2 vai influenciar o romantismo. Ter alguém com quem brindar, abraçar, ficar juntinho é o seu desejo. Faça uma ceia a dois, com velas e músicas românticas. Passe minutos imediatamente antes e depois da meia noite de mãos dadas. Use um acessório ou peça de roupa cor laranja. E sinta-se acolhido por essa cor. A cor laranja é associada ao instinto, por isso sinta a emoção do encontro e da troca.

03- A noite de Réveillon traz para você muita vibração, alegria e otimismo. Este é um momento para ser comemorado com festa. Reúna os amigos. É hora de passar o ano no meio de muita gente. Você será o centro das atenções, por isso cuide bem do seu visual. Uma viagem é ótima idéia nesse dia, em que você estará mais a fim de ficar com um grupo de pessoas do que com uma só. Faça novos amigos. A cor para o seu réveillon é o amarelo. Use um acessório, peça intima ou roupa dessa cor. Você irá potencializar a alegria de viver, irá abrir 2012 com grande vitalidade e capacidade de realizar seus desejos.

04 – Você começa o ano com a certeza de que é muito importante ser uma pessoa mais eficiente ao controlar a sua vida. Por isso você prefere passar a noite e amanhecer o dia com pessoas que fazem parte da sua vida há algum tempo, em lugares já conhecidos, quem sabe na sua casa ou em algum local de sua confiança. Nada de surpresas, e nem festas de arromba. Somente a família, os amigos do peito, só gente em quem você confia. Use e abuse da cor verde nas suas roupas ou acessórios. Ela trará a sensação de equilíbrio e ordem, necessária para enfrentar o ano novo. O verde limpa e restaura a sua energia

05 – O clima nessa noite é de muito movimento. Você irá preferir um programa bastante diferente, quem sabe a bordo de um navio, em uma festa a fantasia, um luau na praia ou em um ambiente exótico. O objetivo é não passar a virada do ano de maneira convencional. E você vai querer mudar a sua maneira de vestir – nada de roupa comum nessa noite: é necessário um traje novo. O azul-claro é a sua cor neste réveillon. Ela contribui para que você entre em 2012 com uma energia de paz, diminuindo o caos, removendo bloqueios e favorecendo o fluxo de energia vital.

06 – Na noite de Réveillon você viverá o amor em todas as suas manifestações. Por isso a energia será propicia para você passar esta noite com a(s) pessoa(s) que você ama, ou com sua família, num ambiente de bastante calor humano. Flores, jantar a luz de velas, champanhe, música romântica. Tudo para proporcionar um ambiente de harmonia . Vista-se com uma roupa bastante confortável e elegante. Use tecidos finos de cetim, seda, adamascados, em que o azul royal possa ser uma das cores. O azul em roupas e acessórios vai contribuir para aumentar a sensibilidade de suas emoções e favorecer uma atmosfera de profundo entendimento entre você e os outros.

07 – Você começa o Ano Novo com grande sensibilidade e intuição. Por isso seria muito propício passar a noite de réveillon em um ambiente de quietude, com bastante privacidade, que lhe permita fazer uma reflexão sobre o passado e o futuro. Paraísos ecológicos, spas, um evento místico, um mergulho no mar à meia-noite, ou ainda ficar contemplando as estrelas do céu, tudo isso faz com que você se conecte consigo mesmo. Mas não fique sozinho, apenas escolha muito bem as pessoas que estarão com você. Aproveite esse dia para visualizar na sua mente o que você deseja para o próximo ano. Esses pensamentos irão se concretizar, criando situações positivas. Use a cor lilás em roupas ou acessórios para ampliar a sua intuição e perceber o que não é visível aos olhos.

08 – Você começa o Ano Novo com grande disposição para tomar grandes decisões. Você tem muitos planos para o próximo ano. Sabe o que quer e como realizá-los. Consegue vislumbrar cada etapa de seus próximos objetivos. Você é eficiente, determinado e tem coragem de enfrentar qualquer problema. O ideal para você é passar essa noite em um lugar sofisticado, com boa comida, elegante, e com ótimo serviço. Poderia ser em um lindo hotel, um excelente restaurante, um cruzeiro em um navio. Use cores em tons de bege a marrom em sua roupas ou acessórios, o que irá intensificar a energia de autoconfiança e poder.

09 – Na noite de Réveillon aproveite para tomar decisões importantes acerca do seu futuro. Você vai estar com uma vontade enorme de colocar um ponto final em tudo que vem impedido que você viva o futuro de maneira livre. Reúna-se com antigos amigos. Viaje para um lugar que marcou a sua vida, reviva o passado, traga parentes distantes e promova um reencontro. Resolva pendências, esclareça fatos, perdoe. Use a cor rosa em suas roupas ou acessórios para liberar todo o amor que existe em você nesse dia.

– Em 09/12/2011 por Papel e Tudo em Dia de que? –

De onde você vem?

De onde você vem?

‘Eu queria que você me emprestasse um pouquinho dessa coisa sua. Você possui cheiro doce, cheiro de coisa boa. De onde vem isso tudo? Explica-me porque eu realmente preciso respirar o mesmo ar que você. Parece que você se vestiu de coisas boas, costurou a própria pele, resistível às desavenças que eu não consigo lidar. Os seus pedaços de felicidade deixados para trás me guiam, você deixa rastros por onde passa e eu tento segui-los da maneira como posso, torta do jeito que sou. Ensina-me a sambar bonito assim, no ritmo da música, sem tropeçar nos meus próprios pés. No ritmo da vida, sem tropeçar nos infortúnios.’

— Bruna Cassiano –

Um caso de amor.

Um caso de amor.

Amor dá muito por aí. Dessa qualidade é que não. Amor que dura, que resiste, que desafia, risonho, contente dele mesmo, todos os obstáculos, o maior deles do cotidiano, do avesso sem graça da vida. Felizes? Onde é que existe isso? Infelizes, que a vida é mais disso.

História que assisti, por acaso, venho acompanhando desde a adolescência, que reencontro, pelas esquinas da vida, meio assustada de que continue durando, apesar de tantos e tamanhos pesares, Ele era feioso, doente, pobre. Filho de pais separados, jogado em orfanato, colégio grátis, ao acaso dos pedidos da mãe, sem recursos, valente como ninguém. Conheceu o gosto das “solitárias” de colégio, aluno gratuito, mal alimentado, triste. Acabou fraco do peito, como se dizia naquele tempo. Foi parar numa estação de cura nem sei como. Onde conheceu – parece fita de cinema! – a moça mais bonita do lugar. Uma deusa moça, de riso branco e alegre, alta, forte, rica. Nenhum dos dois teve nunca outro namorado. A família dela achou uma loucura. Era. Que futuro havia naquilo? Nenhum. Mandou-a estudar na Alemanha. Contei q ue eram de lá? Aquela Valquíria soberba se apaixonar pelo brasileirinho doentio, pobre e infeliz! Dois anos de Universidade em Munique, com muito esporte, dinheiro e passeios, dariam cabo no capricho. Não deram. Voltou, a carta de maioridade na mão, dizendo que sabia muito bem o que fazer com o seu nariz meio arrebitado e voluntarioso. Ele ficara aqui brigando com a vida, com os micróbios que lhe corriam o peito, estudando, trabalhando como podia. Casaram, que ela queria cuidar dele. Cuidou. Deu-lhe um par de filhos fortes, alegres, o viço dela, a inteligência, a valentia, a força escondida que ele trazia dentro do peito maltratado. Ela o contagiou da sua saúde, da sua beleza serena, da sua confiança alegre na vida. Ele esqueceu a infância ruim, a pobreza, a doença. Tinham um velho carro, duas crianças novas, foram armando a tenda aqui e ali, ao acaso da sua vida de professor. Onde armassem a barraca era bom vê-los, na vida que veio vindo. A ternura igual, contentes um do outro, a voz mansa, os gestos parecidos, engraçados, cheios de casos, fortes de terem vencido tantos obstáculos assim juntos, tranquilos, de mãos dadas. Ela sempre bonita, um bonito de árvore, de planta viçosa de curva de rio que o olhar descobre de repente. Um bonito que faz bem. Ele sarou, foi conhecer o gosto da vida que a infância lhe tinha negado, praia, sol, banho de mar, manhã de pescaria, sono de sesta, na rede, quando o vento traz do fundo da casa um cheiro morno de pomar.

Passo anos sem vê-los. Quando os vejo de novo, sempre juntos, o seu bem-querer calado parece que cresceu, dentro da terra, em que fortes raízes deram flor e sombra, fruto e calor. Agradeço, sem palavras, que continuem assim. Estão olhando vitrinas, preparando uma viagem, fazendo fila no açougue, comprando entrada de cinema ou sapatos para as crianças. Que crianças? As crianças já ficaram moços.

Foram felizes? Não sei, que a vida não é muito disso. Reveses, fracassos, trambolhões. Uma moléstia a mais pegou-o de jeito uns anos atrás. Jogou-o, quase entrevado, numa cadeira de rodas. Só pretexto para que ela pudesse servi-lo melhor, que amar também é servir, substituir-lhe as pernas que fraquejavam, os gestos desajeitados, a velha melancolia de menino enjeitado pela vida que, de vez em quando, ainda o mordia, do fundo da felicidade serena que ela lhe dera.

Vi-os de novo, num desses dias. Era um aniversário qualquer. Ela me acompanhou até a porta, amor, doçura, sofrida bondade transbordando dos olhos claros.

- Sabe que eu adoro ele? Foi a melhor coisa que a vida me deu. Não sei o que seria de mim sem ele.

Deve ser um caso de amor.

(Elsie Lessa in Crônicas de Amor e Desamor)

Ao Momento Presente.

Ao Momento Presente.

‘Deixe que ele respire, como uma coisa viva. E tenha muito cuidado: ele pode quebrar.
Como um bebê ou um cristal: tome-o nas mãos com muito cuidado. Ele pode quebrar, o momento presente. Escolha um fundo musical adequado — quem sabe, Mozart, se quiser uma ilusão de dignidade. Melhor evitar o rock, o samba-enredo, a rumba ou qualquer outro ritmo agitado: ele pode quebrar, o momento presente. Como um bebê, então, a quem se troca as fraldas, depois de tomá-lo nas mãos, desembrulhe-o com muito cuidado também. Olhe devagar para ele, parado no canto do quarto ou esquecido sobre a mesa, entre legumes, ou misturado às folhas abertas de algum jornal. Contemple o momento presente como um parente, um amigo antigo, tão familiar que não há risco algum nessa presença quieta, ali no canto do quarto. Como a uma laranja, redonda, dourada — mas sem fome, contemple o momento presente. Como a cinza de um cigarro que o gesto demorou demais, caída entre as folhas de um jornal aberto em qualquer página, contemple o momento presente. E deixe o vento soprar sobre ele.
Desligue a música, agora. Seja qual for, desligue. Contemple o momento presente dentro do silêncio mais absoluto. Mesmo fechando todas as janelas, eu sei, é difícil evitar esses ruídos vindos da rua. Os alarmes de automóveis que disparam de repente, as motos com seus escapamentos abertos, algum avião no céu, ou esses rumores desconhecidos que acontecem às vezes dentro das paredes dos apartamentos, principalmente onde habitam as pessoas solitárias. Mas não sinta solidão, não sinta nada: você só tem olhos que olham o momento presente, esteja ele — ou você — onde estiver. E não dói, não há nada que provoque dor nesse olhar.
Não há memória, também. Você nunca o viu antes. Tenha a forma que tiver — um bebê, um cristal, um diamante, uma faca, uma pêra, um postal, um ET, uma moça, um patim — ele não se parece a nada que você tenha visto antes. Só está ali, à sua frente, como um punhado de argila à espera de que você o tome nas mãos para dar-lhe uma forma qualquer — um bebê, um cristal, um diamante e assim por diante. E se você não o fizer, ele se fará por si mesmo, o momento presente. Não chore sobre ele. No máximo um suspiro. Mas que seja discreto, baixinho, quase inaudível. Não o agarre com voracidade — cuidado, ele pode quebrar. Não ria dele, por mais ridículo que pareça. Fique todo concentrado nessa falta absoluta de emoção. Não espere nada dele, nenhuma alegria, nenhum incêndio no coração. Ele n ada lhe dará, o momento presente.
Deixe que ele respire, como uma coisa viva. Respire você também, como essa coisa viva que você é. Contemple-o de frente, igual àquela personagem de Clarice Lispector contemplando o búfalo atrás das grades da jaula do jardim zoológico. Você pode estender a mão para ele, tentar uma carícia desinteressada. Mas será melhor não fazer gesto algum.
Ele não reagirá, mesmo todo pulsante, ali à sua frente.
Respire, respire. Conte até dez, até vinte talvez. Daqui a pouco ele vai começar a se transformar em outra coisa, o momento presente. Qualquer coisa inteiramente imprevisível? Você não sabe, eu não sei, ele não sabe: os momentos presentes não têm o controle sobre si mesmos. Se o telefone tocar, atenda. Se a campainha chamar, abra a porta. Quando estiver desocupado outra vez, procure-o novamente com os olhos. Ele já não estará lá. Haverá outro em seu lugar. E então, como a um bebê ou a um cristal, tome-o nas mãos com muito cuidado. Ele pode quebrar, o momento presente. Experimente então dizer “eu te amo”. Ou qualquer coisa assim, para ninguém.’

- Caio Fernando Abreu in Pequenas Epifanias -

Faça sol ou faça chuva.

Faça sol ou faça chuva.

“Algumas pessoas se destacam para nós (…) Não importa quando as encontramos no nosso caminho. Parece que estão na nossa vida desde sempre e que mesmo depois dela permanecerão conosco. É tão rico compartilhar a jornada com elas que nos surpreende lembrar de que houve um tempo em que ainda não sabíamos que existiam. É até possível que tenhamos sentido saudade mesmo antes de conhecê-las. O que sentimos vibra além dos papéis, das afinidades, da roupa de gente que usam. Transcende a forma. Remete à essência. Toca o que a gente não vê. O que não passa. O que é (…) Com elas, o coração da gente descansa. Nós nos sentimos em casa, descalços, vestidos de nós mesmos. O afeto flui com facilidade rara. Somos aceitos, amados, bem-vindos, quando o tempo é de sol e quando o tempo é de chuva.”

- Ana Jácomo -

O Amor.

O Amor.

“Aos que não casaram,
Aos que vão casar,
Aos que acabaram de casar,
Aos que pensam em se separar,
Aos que acabaram de se separar.
Aos que pensam em voltar…

Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja.
O AMOR É ÚNICO,
como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus.

A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue,
A SEDUÇÃO
tem que ser ininterrupta…

Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança, acabamos por sepultar uma relação que poderia
SER ETERNA

Casaram. Te amo pra lá, te amo pra cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas.
Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes, nem necessita de um amor tão intenso. É preciso que haja, antes de mais nada,
RESPEITO.
Agressões zero.

Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência… Amor só, não basta. Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura, para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver
BOM HUMOR
para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades.
Tem que saber levar.

Amar só é pouco.
Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas para pagar.
Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar.
Tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta, apenas, amar.

Entre casais que se unem , visando à longevidade do matrimônio, tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo pra cada um.
Tem que haver confiança. Certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou. É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão.
E que amar “solamente”, não basta.

Entre homens e mulheres que acham que
O AMOR É SÓ POESIA,
tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado.

O amor é grande, mas não são dois.
Tem que saber se aquele amor faz bem ou não, se não fizer bem, não é amor. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência.
O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.

Um bom Amor aos que já têm!
Um bom encontro aos que procuram!
E felicidades a todos nós!”

- Arthur da Távola -