Festeiro, revoltadinho ou filósofo? Descubra se você é um dos chatos das redes sociais.

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Ter perfil em alguma rede social, como Facebook, Twitter ou Orkut, é garantia de diversão. Ali, dá para interagir com seus amigos, compartilhar gostos e contar novidades. Mas, de vez em quando, esses espaços virtuais podem ser muito irritantes, com gente que mergulha de cabeça no compartilhamento. É só acessar estes sites e lá vem um festival de confissões, lamentações, propagandas, convites, clichês, frases feitas, fora as informações que ninguém tem interesse em saber (ok, você levou seu cachorrinho para passear, mas e daí?).

Para fugir desses figuras, há duas maneiras: você apaga os chatos da lista de amigos ou se exila das redes sociais. Afinal, as pessoas são livres para fazer (quase tudo) o que quiserem na internet. Por isso, o exercício de autocrítica é importante na hora de sair tagarelando pela web.

UOL Comportamento traçou o perfil dos seis tipos mais desagradáveis nos ambientes sociais da internet. Especialistas no assunto ainda desvendam o que há por trás destas atitudes incômodas e, de quebra, dão dicas de como mudar caso perceba que o mala é você.

Você é um chato das redes sociais?

 

FESTEIRO:

O que posta?

Muitas fotos em festas, viagens ou encontros com os amigos. Os álbuns levam títulos nada criativos, como “Momentos”, “Por aí” ou “Amo muito tudo isso”. Nunca ouviu falar em “edição”: costuma postar milhões de imagens com as mesmas pessoas, nas mesmas situações, com exceção de um sorriso ou um “V” de vitória. Faça chuva ou faça sol, acredita que a vida serve para ser celebrada e que qualquer evento se torna mais interessante com sua presença animada.

O que há por trás?

A psicóloga Suzy Camacho, de São Paulo, explica que o mundo virtual é um universo de fantasia. Por isso, abre espaço para que os usuários tentem expressar o que gostariam de ser, com a ajuda de uma “lente de aumento”. “Com essa atitude, a pessoa quer mostrar que é alto-astral e que está, de fato, vivendo a vida. É uma necessidade de autoafirmação”, diz. A especialista dá a dica: antes de divulgar sua alegria para o mundo, pergunte a si mesmo se ela é verdadeira ou se o que você espera, na verdade, é despertar a inveja alheia.

 

 NEGATIVO OU POSITIVO:

 

O que postam?

O primeiro tipo, só lamúrias. Reclama do calor, do frio, do trânsito, da falta de dinheiro, da falta de homem. Para este ser infeliz, o mundo é uma eterna segunda-feira chuvosa. Já o segundo é como a personagem Pollyanna: adora inspirar a humanidade virtual com suas pérolas de sabedoria. Frases tiradas de músicas (como “Andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar”, de Gilberto Gil) são alguns de seus clichês favoritos. É do tipo que dá “bom dia!” diariamente e está sempre feliz com a vida, o trabalho, o governo, até com o peso. Trabalho no domingo de sol? Tudo bem, é por uma causa nobre.

O que há por trás?

Uma necessidade imensa de chamar a atenção. “Essas pessoas querem notoriedade, porém acabam se tornando desagradáveis na rede social”, afirma Suzy. Felipe Agne, coordenador de relacionamento, conteúdo e redes sociais da Mix-Use Cosmética Profissional, considera que Hardys e Pollyannas são tentativas de construir personagens. “Mas as outras pessoas percebem quando não há autenticidade”, diz. Por sua experiência em grupos de discussão na web, Felipe diz que as atitudes que temos na “vida offline” são as mesmas da “vida online”. “Uma pessoa que só fala de si mesma, negativa ou positivamente, é chata em qualquer lugar”, conclui ele.

 

REVOLTADO:

 

O que posta?

Denúncias sobre trabalho escravo, corrupção, miséria ou calçados produzidos com pele de animais (mesmo que tenha almoçado uma picanha mal passada). Alguns sentem grande prazer em trocar farpas com qualquer pessoa que tenha opiniões diferentes das deles. E muitas vezes o assunto nem precisa ser polêmico, como futebol, religião ou política. É só um conhecido postar que curtiu (ou não) o cabelo da Sandy que lá está o revoltadinho, detonando a opinião alheia. Vive criticando quem reclama demais no Twitter, fala que o Mark Zuckerberg (criador do Facebook) é um idiota, alega que odeia as redes sociais. Mas deletar o seu perfil que é bom, nada.

O que há por trás?

Preocupação sincera com questões sociais? Nem sempre. Vontade de causar polêmica? Ah, isso com certeza. “Quem quer se envolver com alguma causa e levá-la a sério o faz no plano real. A mobilização pelo Facebook é mínima e nem sempre leva a uma mudança drástica na sociedade”, afirma a psicóloga Andrea Jotta, do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática (NPPI) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Para ela, algumas discussões virtuais nada mais são do que um exercício para o fanatismo.

 

FILÓSOFO: 

 

O que posta?

Palavras inspiradoras e cheias de sabedoria. Mas não se engane: a autoria das frases é de São Francisco de Assis, Chico Xavier, Fernando Pessoa ou Clarice Lispector. “O Pequeno Príncipe” também cativou a esse mala, que distribui as frases de Antoine de Saint-Exupéry, autor do livro, para trazer paz e luz a seus amigos e seguidores. Santos e escritores (que até merecem ser beatificados, de tanto que emprestam sua inteligência a ele) são “homenageados” todos os dias e, em alguns casos, o dia inteiro!

O que há por trás?

Uma das explicações para este comportamento é a vontade de transmitir uma imagem culta e inteligente. “É como se o autor da frase agregasse valor à imagem do internauta”, explica Suzy Camacho. Porém a psicóloga ressalta que, se usado em excesso, o recurso tem efeito totalmente contrário. “Fica parecendo que essas pessoas esbanjam muita teoria porque, na realidade, têm pouca prática”. Algumas pessoas, geralmente mulheres, também fazem deste artifício uma forma de mandar um recadinho para alguém – um ex-namorado, um ficante ou aquele amigo traíra. A psicóloga Andrea Jotta acredita que o recurso engraçadinho seja eficiente apenas na adolescência. Na idade adulta, espera-se que a pessoa já tenha maturidade para resolver suas questões ao vivo e em cores.

 

INCONVENIENTE:

 

O que posta?

Quizz de perguntas e respostas, enquetes, charadas, convites de mil eventos. Ele pede para montar fazendinhas de mentira ao seu lado e é sempre presença garantida em jogos ou aplicativos novos. Alguns também marcam fotos horrorosas (ou em situações desagradáveis) dos amigos, fazem calendários cafonas com todos os seus contatos ou incluem os nomes de colegas em conversas e grupos dos quais não fazem parte.

O que há por trás?

A vontade de interagir e se sentir aceito, segundo Andrea Jotta. Mais uma vez, o resultado é justamente o oposto do esperado. “O marketing no campo social é muito mais sutil e se esquecer disso provoca rejeição”, afirma Felipe Agne, especialista em Ações Inovadoras nas Redes Sociais pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) de São Paulo. Ou seja, forçar a amizade nunca é um bom negócio.

COMPULSIVO:

 

O que posta?

Tudo o que acontece em sua vida, nos mínimos detalhes e com o maior número possível de caractéres. Começou uma dieta? Lá vem a descrição de cada item do cardápio com suas devidas calorias. No escritório, ele esquece que os amigos também estão cheios de tarefas e lá vai contar tintim por tintim o que tem para fazer. É o cara que, por algum motivo, acha importante dizer que o café acabou, que precisa ir ao mercado, que o carro está com o pneu furado e até se está com alguma cistite ou infecção intestinal.

O que há por trás?

Baixa autoestima, carência e um desejo enorme de aparecer. Só que a maior parte das experiências postadas não é nem um pouco interessante para quem as lê. “Esse comportamento é típico das mulheres, que, por questões genéticas, falam muito mais do que os homens”, comenta Suzy. Quando a pessoa fala, no entanto, ninguém percebe o número de palavras. Já visualmente, como acontece nas redes sociais, ela se torna repetitiva e chata. “O que você ouve, deleta. Mas se você lê aquilo diariamente, acaba incomodando.”

 

 HELOÍSA NORONHA
– Colaboração para o UOL COMPOTAMENTO em 15/09/2011 –

 

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